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Especial  -  Dia dos Namorados

A história: Em memória de um padre romano que se apaixonou pela filha do seu carcereiro 

Envolta em mistério, pois são variadas as lendas em seu redor, a história do Dia de S. Valentim assenta, simultaneamente, em tradições cristãs e pagãs, sendo certo que há longa data o mês de Fevereiro é consagrado às paixões e ao romance.
Há dois santos reconhecidos com o nome de Valentim, ou Valentinus, ambos mártires. Parece certo que, no que ao dia de hoje se reporta, estamos a falar de um padre que viveu em Roma, no século III da Era Cristã. Nessa altura, o imperador Cláudio II chegou à conclusão de que os melhores soldados eram os solteiros e, vai daí, proibiu que se celebrassem casamentos de jovens do sexo masculino. Valentim, que considerava essa medida uma injustiça, continuou a celebrar clandestinamente casamentos de jovens. Quando soube das acções do padre, Cláudio ordenou a sua execução.
Reza a lenda que, enquanto aguardava a morte, o padre ter-se-á apaixonado pela filha do carcereiro, que o visitava regularmente. Na prisão, escreveu-lhe um bilhete que terá estado na origem da tradição actual, assinando "do teu Valentim", expressão ainda em voga nos dias de hoje entre os anglófonos ("From your Valentine"). Este mártir ficou conhecido como uma pessoa piedosa, heróica e, acima de tudo, romântica, características que o tornaram num dos santos mais populares em Inglaterra e França durante a Idade Média.

Embora alguns defendam que o dia de hoje é uma efeméride, assinalando o nascimento ou a morte do santo, o mais provável é que a Igreja tenha agendado a festa de S. Valentim para esta altura com o intuito de cristianizar as celebrações do festival de Lupercalia, rito pagão romano associado à purificação e à fertilidade, no qual, entre outras coisas, as mulheres solteiras da cidade eram sorteadas pelos rapazes. Na Idade Média, acreditava-se, também, que o dia 14 de Fevereiro marcasse o início da época de acasalamento das aves, o que ajudou a romantizar a data.
A carta mais antiga associada a este dia que se conhece data do século XV, mas o Dia de S. Valentim apenas começou a tornar-se popular 200 anos depois. Com a evolução das técnicas de impressão, substituiram-se as cartas por cartões impressos, sendo de destacar belíssimos exemplares que circulavam, em fins do século XIX, na Inglaterra vitoriana. A popularidade foi sempre crescendo, associada também à diminuição dos portes de correio. Hoje em dia, o número de saudações enviadas nesta altura do ano apenas é suplantado pelo que se refere a votos de feliz Natal. E não estamos a contemplar aqui os cartões virtuais disponíveis na Internet, que, além de gratuitos, se adequam mais à postura namoriscadeira dos nossos tempos.
Fonte: jornal Noticias 

A bioquímica do amor: 
O desejo é mais forte do que o amor,os biólogos explicam que o primeiro existe por questões deconservação da espécie, a sociedade pinta o segundo num tom rosa.
Segundo os cientistas, o amor é uma sofisticação do que é básico e comum a todos os animais, o imperativo da reprodução, ainda que o espírito do dia dos namorados, na segunda-feira, faça
crer o contrário.
"O ser humano artificializa o que é natural, os animais não são tão hipócritas", afirmou à Agência Lusa o professor de biologia do desenvolvimento da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), Eduardo Crespo.
"A atracção sexual é a mesma nos animais e nos seres humanos, uma vez que ambos respondem aos mesmos estímulos", disse.
A biologia, enquanto ciência que estuda os seres vivos, os fenómenos vitais e as suas leis, explica a relação que se estabelece entre dois indivíduos de sexo diferente como um vínculo sexual que é comum a todos os animais.
"Pode ser mais ou menos duradouro, mas é sempre um vínculo sexual", explicou por seu lado Luís Fonseca, professor de biologia do comportamento animal da mesma faculdade. O jogo de sedução que se estabelece entre um macho e uma fêmea humanos é em tudo semelhante ao que se regista nos animais. A diferença está na maior elaboração com que o homem encena os sinais
estimulantes, pois dispõe de um manancial mais complexo e diversificado.


"O jogo de sedução envolve todos os sentidos, pode confinar-se à forma de apresentação, à utilização de cores apelativas, ao comportamento ou à libertação de produtos químicos naturais, tal
como acontece nos animais", sublinhou Eduardo Crespo. 
A importância dos odores na atracção sexual é sustentada por estudos científicos recentes. No homem, esta influência é atenuada devido ao psiquismo mais elaborado que o caracteriza.
"As ferohormonas são hormonas que têm uma acção externa, através do odor corporal, e que intervêm no jogo de sedução que se estabelece entre um macho e uma fêmea, de forma a predispô-los para a reprodução", explicou.
Outro exemplo são os sinais visuais, que funcionam, nos seres humanos, de forma semelhante ao que acontece nos outros animais: a fêmea é atraída pela forma como se apresenta o macho, o que a estimula a nível hormonal.
"A acção das hormonas afecta todo corpo. A temperatura corpórea aumenta imediatamente, o que implica maior nervosismo e stress causado pela ansiedade da luta: contra os rivais do mesmo sexo e
pela conquista do objecto desejado", continuou Eduardo Crespo. As descargas hormonais provocadas pelos estímulos recebidos pelo ser humano preparam o corpo para a relação sexual (daí a vasodilatação registada e o aumento da circulação periférica).


Além da dopamina, um produto químico natural que estimula o desejo de ver, falar e estar perto da pessoa desejada, existe uma outra hormona produzida pelo cérebro que poderá estar relacionada
com o "amor", a melatonina, produzida pela glândula pineal. Segundo o professor, "em termos biológicos, o amor é uma reacção neuro-hormonal". Qualquer vínculo sexual estabelecido entre um macho e uma fêmea visa idealmente a reprodução (controlada a nível hormonal), mesmo
quando, no caso dos seres humanos, se recorrem a métodos anticoncepcionais, referiu Luís Fonseca.
Na espécie humana, acrescentou, associa-se a consumação do acto sexual ao prazer. A antecipação desse prazer é um mecanismo que a Natureza encontrou para assegurar que sempre se estabelecerão vínculos sexuais.
Trata-se, no fundo, de um funcionamento semelhante ao de outra necessidade básica: quando se tem fome e se avista comida saliva-se.
Existem também sinais subliminares e imperceptíveis de relacionamento entre um macho e uma fêmea. Sinais que o ser humano emite e recebe sem se aperceber.
O primeiro que os cientistas identificam é a dilatação da pupila, algo que não é controlado ou propositado mas indicia uma disponibilidade sexual, disse Luís Fonseca.
O primeiro interesse do ser vivo é fazer cópias de si próprio (a teoria do gene egoísta). Ao macho interessa maximizar o número de cópias que faz, enquanto que à fêmea, a braços com a gestação e
amamentação da cria, interessa maximizar o tempo da associação para obter colaboração na prestação dos cuidados parentais. Assim, machos e as fêmeas, cujos interesses são na sua maioria
antagónicos, unem-se numa "associação rancorosa" para o cumprimento de um objectivo comum, a reprodução, afirmou.
"No processo evolutivo dos seres humanos surgiu um mecanismo de manutenção do vínculo sexual entre o macho e a fêmea: ela está sempre disponível sexualmente, o que só acontece também numa espécie de chimpanzés (nas outras espécies há um período de cio nas fêmeas). O macho mantém-se assim preso à relação porque a fêmea exerce uma atracção permanente", adiantou o biólogo.
Segundo Luís Fonseca, é a fêmea quem domina a relação (o vínculo sexual). Para isso tem tido ao longo do processo evolutivo a capacidade de transformar em facto o que era fantasia.
A fêmea humana, acrescentou, tem a capacidade de integrar evolutivamente no seu organismo coisas que reforçam o vínculo.
Por exemplo, notou, não há motivo biologicamente aparente, uma causa, para o orgasmo feminino.
"Provavelmente, no início era apenas uma fantasia, mas funciona como um reforço positivo para o macho (a intenção da fêmea em agradar-lhe), o que contribui para a manutenção do vínculo",
considerou. De acordo com Eduardo Crespo, é próprio da Natureza criar artifícios que garantem a reprodução das espécies animais. 
"A satisfação é independente da ejaculação masculina, mas a capacidade de antecipação do prazer assegura que uma seja a gratificação do outra, verdadeiramente necessária," disse.
O sentimento vulgarmente denominado por "amor" não tem definição científica. Trata-se de um mecanismo subjectivo, com profundas interligações a padrões definidos cultural e socialmente.
Por isso, em épocas e culturas diferentes os padrões de beleza são também diferentes.
A capacidade humana de estabelecer relações reside no encéfalo, distinto, pelas suas proporções, do dos outros animais (é um encéfalo hipertélico), explicou Luís Fonseca.
Devido à enormidade de proporções do encéfalo humano, o desenvolvimento do seu sistema nervoso acontece fora do ventre
materno (o parto é antecipado para os nove meses de gestação pois se ocorresse mais tarde seria impossível), considerou. 
Desta forma, a cria humana é, de entre todos os outros primatas, a que nasce mais frágil e imatura.
"Devido a esta dependência, ela necessita de grandes cuidados parentais e vínculos sociais, num conjunto de inter-relações constantes que determinam a forma de relacionamento com o outro",
referiu, adiantando que o sistema nervoso completa a sua formação em total interacção com o meio social.
É, no fundo, o ambiente cultural e social que determina a forma como os humanos se relacionam. É também nesse caldo que reside a chave que descodifica porque determinada pessoa estabelece uma relação vinculativa com outra. Os especialistas garantem, portanto, que o segredo das relações é muito mais tipo "dois mais dois igual a quatro" do que o quadro comercial de tom rosa que o comércio destaca segunda-feira.
SCS
Lusa - Lisboa, 11 Fev. 2000 

Antologia de contos no São Valentim

Hoje o Diário de Noticias distribui gratuitamente o livro "Linhas Cruzadas. Uma Antologia de Contos PT"

Direitos reservados
LIVRO. No Dia de São Valentim, o DN distribui "Uma Antologia de Contos"
Em Dia de São Valentim, não há quem substitua as rosas do namorado ou a caixinha de chocolates da namorada. Mas se, de momento, a sua cara-metade ainda não se revelou, se prevê que a distração do "seu-mais-que-tudo" o deixe de mãos a abanar, ou simplesmente para enriquecer a sua biblioteca, o Diário de Notícias propõe-lhe uma boa solução.Na próxima segunda-feira, o nosso jornal distribui, com a edição do dia, o livro Linhas Cruzadas. Uma Antologia de Contos PT, uma colectânea de textos publicada ao longo dos últimos três anos, na revista Linhas Cruzadas, daquela empresa.
Publicação interna da Portugal Telecom, a Linhas Cruzadas abriu as suas páginas à colaboração de personalidades das áreas das letras e do jornalismo, dando à estampa contos de Agustina Bessa-Luís, Alice Vieira, Miguel Esteves Cardoso ou Rui Zink, agora compilados em livro.
"Direis que histórias velhas não vos interessam. Mas aí está como vos enganei. E, como gostais de ser enganados, isso é um bom começo para aguçar a vossa curiosidade". Assim começa "A Dama das Camélias", de Agustina Bessa-Luís, conto inaugural da antologia. Da autora de Sibila, é também publicado "Dominga".
De Alice Vieira, autora de sucessos infanto-juvenis como Rosa, Minha Irmã Rosa ou Chocolate à Chuva, são editados dois textos: "Mistérios de Natal" e "A Primeira Prenda do Pai Natal".
Carlos Quevedo, encenador teatral e jornalista, assina "Acorda, Amor!", um conto que versa sobre aqueles pequenos gestos do ente amado que conseguem pôr a cabeça em água ao parceiro. De Quevedo é também "Quando o Telefone Toca..." e "A Estupidez não Tem Classe Social".
Da autoria do escritor Rui Zink, a colectânea reúne "Silvina", "Telechamadas" e "Trabalho de Casa". A antologia inclui também "A Sinapse Ambígua", de Daniel Tércio, autor dos romances A Vocação do Círculo e Pedra de Lúcifer.
Com uma vida ligada à música popular, Francisco d'Orey escreve "Aventura ou Desventura", partindo da proposição "A felicidade é uma viagem solitária e original a partir de qualquer sítio". Francisco d'Orey assina ainda "O Menino e o Relógio" e "Quem Vai ao Ar Acha Um Lugar?".
Nos quadros da Portugal Telecom, revelam-se duas contistas. Gina Sacramento, responsável pela área de comunicação da PT e directora da antologia, assina "Uma Aventura na Terra", "A Praia da Gruta Azul" e "O Que Está Lá, Está Cá". Maria Manuel Ramos Pinto escreve "Como Gostávamos de Ser Bombeiros Involuntários", "Anúncios", "Repenica, Repenica e São João a Suar em Bica..." e "Vindimas".
"É do 24687?", pergunta Helena de Sacadura Cabral, colaboradora assídua da imprensa, que publica ainda "O Valor do Trabalho", "Reinventar a Autoridade..." e "Um Prémio Nobel".
João Barreiros, contista na área da ficção científica, assina "Sincronicidade". "Azazel" é o título do conto do poeta e romancista João Fernandes Jorge.
De Júlia Pinheiro, o rosto das manhãs da SIC, a antologia reúne os textos "Inteligência 2", "Marte", e "Conto de Cartagena". Laurinda Alves, directora da revista XIS, ficciona sobre "Ser Feliz". Da mesma autora, é publicado "Kiss Me".
"Sonhos de Planetas e Estrelas" é o título do conto-poema de Luís Filipe Silva, autor de várias obras de ficção científica. Manuel João Ramos, colaborador do semanário O Independente, assina "Os Reis". Uma das vozes mais críticas da sociedade portuguesa, Miguel Esteves Cardoso, participa nesta colectânea com "Como Me Tornei Digital", "As Comunicações Asseguradas e a Incompreensão Popular" e "A Chamada às Armas". O antropólogo e cronista Miguel Vale de Almeida assina "Guerra Civil" e o "O Pastor Urbano".
Do jornalista Rui Henriques Coimbra é publicado "O Número da Sorte Grande", "Vendem-se Lembranças, Souvenirs, Recuerdos" e "Números Primos, Filhos e Enteados". Sérgio Coimbra, director da revista Volta ao Mundo, assina "Tudo o Que Vem à Rede..." e "A Falar É Que a Gente se Entende".
Encontrados numa garrafa, no mar, em 1998, são publicados os contos "Indo Irei", "O Mar Que Passa", "A Noite Cheia" e "Ó Azul", assinados em nome de Vicente Maria/Maria Vicente. Na próxima segunda-feira, Uma Antologia de Contos PT estará nas bancas com a mesma tiragem do Diário de Notícias, ao preço habitual do jornal. Uma iniciativa integrada no programa 2000 - Ano Nacional do Livro e da Leitura, promovido pela APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros).