Alminhas de Fiães
(Alminhas, Nichos, Santuários e Cruzes Votivas) |
I - Das "Alminhas" e
sua origem
"Ó vós que ides passando
Lembrai-vos de nós que estamos penando"
(Das legendas das "alminhas")
Na berma da estrada ou de simples caminhos de aldeia, ou mesmo dispersos por montes e
vales, incrustados ou cavados em velhos muros ou na frontaria de casas, deparam-se-nos
singelos monumentos de enternecadora harmonia entre a fé e a arte popular. São as
"alminhas". Umas rememorando um acontecimento trágico, outras perpetuando a
gratidão por uma graça concedida.Algumas são verdadeiras obras de arte arquitectónica
e escultórica, com laivos de estilo clássico, românico, ou gótico, quando não uma
profusão de ornamentos, frequentemente ingénuos, quase a lembrar o barroco. E é obvio
que não estamos a pensar no precioso baixo relevo em bronze de Teixeira Lopes (pai),
junto ao tabuleiro inferior da Ponte de D. Luís, conhecido por "Alminhas da
Ponte", substituindo um velho painel a óleo que aí existia a lembrar tristemente o
celebre "desastre da ponte das barcas" por ocasião da 2ª invasão francesa.
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E se uma ou outra vai sendo restaurada (embora
quase sempre com uma total ausência de sentido de preservação, que mais valera que
ficasse como estava) e zelada pela mão piedosa que lhe põe flores e lhe acende o lume de
azeito, a maior parte vai-as o tempo desmoronando pela incúria dos homens, ou até por
selvático vandalismo.
Verdadeiramente "alminhas" não são as capelinhas ou nichos, mas o painel
pintado a óleo (na maior parte já não existe ou substituído por um painel de azulejos)
representando as almas do purgatório, ansiosas que as orações dos vivos as purifiquem
dos seus pecados para poderem entrar no paraíso:
"ò vós que ides passando
Lembrai-vos de nós que estamos penando"
"Nós passamos e vós zombais
Mas lembrai-vos que em breve como nós sereis..."
"Ó almas que tanto vos enjoais de nos ver!
Pois nós fomos como vós
E vós como nós haveis de ser"
"Vós que tende por aqui passais,
Lembrai-vos de nós cada vez mais"
Legendas como estas vêem-se nas "alminhas" encerrando um misto de fé e temor,
que a índole do nosso povo assim exprime poeticamente.
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Não se sabe bem a origem das "alminhas"
como hoje se apresentam nestes singelos monumentos. Aquelas que têm gravado a data das
sua construção não vão alem de dois séculos. Contudo, talvez seja possível uma
analise à evolução da doutorina em que se baseia a sua génese.
A raiz mais longínqua assente na crença de uma vida para além da vida terrena. Há mais
de dois mil anos já os romanos levantavam pequenos altares nos caminhos e encruzilhadas
em honra e por temor aos seus mortos, que endeusavam ("lares").
Instituída a Igreja Cristã, os seus teólogos vão estruturando os dogmas, que os
crentes aceitam na sua fé incontestária. E esboçado já na escritura antiga, o
"Purgatório" é reafirmado no II Concílio de leão em 1274 e no Concílio de
Florença em 1439. No celebre concílio de Trento de 1563 é redefinido o dogma da
existência do purgatório, reafirmando-se o sufrágio dos fiéis pelas Missas a oração
e a esmola.
Surgem então as confrarias das Almas, que cada vez mais se vão multiplicando no mundo
cristão, originando o aparecimento de minúsculos oratórios contendo quase sempre
tábuas pintadas a representar o Purgatório. E, embora possam divergir em pequenos
pormenores, normalmente estes painéis apresentam a parte superior a figuração da
Santíssima Trindade ou Cristo Crucificado, ou ainda a Virgem e Santo António; a meio S.
Miguel com a balança; e ao fundo a representação das almas envoltas pelas chamas
purificadoras do Purgatório, sendo frequentes as figuras de papas e bispos, reis e
nobres, entre o povo, num simbolismo de igualdade perante Deus.
Estes painéis pintados a óleo mais tarde colocados em nichos ou ermidinhas, têm sido
ultimamente substituído por azulejos, o que, tendo a vantagem de melhor resistirem ao
tempo, lhes retiram, contudo, a original característica. Mas este nem é o pior mal que
lhe têm feito.
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| II - História de
algumas "alminhas" de Fiães |
Alminhas do casal do monte
Situadas no Casa do Monte, na casa de D. Ana André Baptista, foram fundadas no ano de
1919. Quem as mandou construir foi a proprietária da casa em memória de seu pai, Manuel
Alves de Pinho, que fora assassinado.
As "alminhas" são zeladas pela Senhora D. Ano André Baptista. Presentemente
são zeladas pela sua filha Maria. |
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Alminhas
do Infantário Nada se sabe
sobre elas. Pensa-se que, dado o modo como elas estão implantadas, teriam sido lá
colocadas porque naquele tempo era corrente, como hoje é normal colocar imagens, quer em
gesso, quer em painéis de azulejos ou ainda outras. Em alguns prédios modernos que se
constróem agora. O prédio onde se encontram as alminhas foi mandado construir pela
família dos Avelares. A sua construção data de 18... (Não conseguimos ler a data que
lá se encontra).
Não tem zelador. |
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| Alminhas
da SUIL
Assassinato de um homem?
Esta informação é muito subjectiva e foi-nos dada pela senhora D. Maria Teresa de Jesus
de 83 anos de idade, que mora perto do local onde as alminhas estão implantadas. Disse
ela que a sua mãe falecida em 4.3.1922, com 37 anos, igualmente desconhecia a causa.
É zeladora a senhora D. Generosa dos Anjos Pinto.
Localiza-se no lugar dos Valos.
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Alminhas
do Sovela
As alminhas do Sovela foram fundadas no ano de 1916. A causa da sua construção foi
motivada pelo assassinato do senhor Francisco Ferreira Da Silva, cujo assassínio foi o
senhor Serafim Teles. De referir que tanto um como o outro eram desta freguesia.
A razão pela qual se deu este assassinado foi o seguinte: Tanto o senhor Francisco
(assassinado) como o senhor serafim (assassínio) estavam no Brasil. O senhor Francisco
tinha emprestado uma quantia de dinheiro ao senhor Serafim, este ainda solteiro, pelo que
nunca mais deu o dinheiro ao seu credor. Chegados os dois a Portugal, como é obvio o
senhor Francisco pediu ao senhor Serafim se lhe podia retribuir o dinheiro emprestado
anteriormente, dado precisar dele. Então marcaram encontro na loja do senhor José
Sovela, que se situava no mesmo prédio onde as alminhas foram construídas. |
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| Era o dia
5 de fevereiro de 1916 caía uma chuva miudinha. À hora marcada como combinado, os dois
senhores encontraram-se na dita loja; pois eles eram amigos, estavam a conversar
normalmente, e a certa altura o senhor Francisco perguntou: -Então Serafim tens o dinheiro para me dares?
O senhor Serafim por sua vez respondeu-lhe:
-Vamos lá para fora que aqui está bastante gente e ninguém precisa de saber que tu vais
levar dinheiro para casa.
E saíram os dois; foi neste momento que o senhor Serafim tirou uma grande navalha do
bolso e a espetou no abdómen do senhor Francisco que caiu de imediato sobre a terra.
Neste instante o senhor Serafim entrou novamente na loja, como nada se tivesse passado.
Uma senhora que tinha ido fazer as compras, vinha a sair da loja quando começou aos
gritos.
Logo todas as pessoas vieram ver o que se passava, incluindo o próprio assassínio.
Vieram encontrar o corpo banhado em sangue, já sem vida, deixando esposa e duas crianças
órfãos de pai.
O corpo foi coberto com um lençol esperando que uma autoridade o viesse levantar: O
senhor Serafim ia perguntando:
- Como é que isso aconteceu?
E foi-se sentar no ceifão que era uma grande pedra, existente próximo do local. Os
colegas diziam para ele ir para casa, pois se não tinha remorsos não haveria razão para
permanecer ali durante horas e a chover, mas nele existia uma grande carga de remorsos.
Já todas as pessoas desconfiavam dele, principalmente aqueles que se encontravam na loja.
Chegando a notícia à viuva, esta caiu logo sem sentido no chão.
Após o funeral descobriu-se o assassínio. Foi inacreditável para muitas pessoas, e de
muitas bocas saía o nome dele "Serafim Teles, um amigo dele".
O caso foi para o tribunal de Justiça, e o julgamento saiu com a sentença final de 28
anos de prisão para o assassínio cumprir. Mas isto não chegou a ser cumprido, pois o
senhor Serafim Teles fugiu a todo o lanço para a América do Norte.
A pobre viuva sofreu um choque e desgosto. Ela nunca mais passou pelo local do crime, onde
brevemente passaram a existir as "alminhas".
Nunca mais foi à sua cama. Dormia na cozinha junto a lareira, e ao fim de cinco anos
acabou por morrer queimada.
O senhor Serafim Teles, casou no país para onde fugira, com uma mulher da freguesia de
Pigeiros, que foi Ter com ele. Nunca mais voltou a Portugal.
A partir do ano de 1916, as "alminhas" foram zeladas primeiramente por uma
criada da casa do Padre José Ribeiro, passados alguns anos a D. Isabel do Rusga tomou
conta até à sua morte em 1980. Actualmente é zelada pela proprietária do prédio,
senhora Conceição.
É este o verdadeiro drama das referidas alminhas. |
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Alminhas
da Barroca Encontra-se nestas
alminhas uma placa com a seguinte inscrição: "Em 1820 foi edificada por Serafim F.
Barroca e espoza Marianna P. D'Almeida e re-controída pelo filho João Ferreira P. em
1911".
Contactada a senhora Ercília André dos Santos, do lugar do Souto informou-nos que é
desconhecida a causa da sua construção. Celebra-se todos os anos junto das alminhas uma
novena no dia de Todos-os-Santos ou de Fiéis Defuntos, desconhecendo-se igualmente a
causa que a motiva.
Foram zeladoras: Laura Soares Mota, Camélia Amorim, Íria Amorim, Ercília André dos
Santos e, desde 1973, Cacilda de Oliveira Mota, falecida em Dezembro de 1997. |
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| Alminhas
do Magalhães Foram
construídas em 1945, no lugar do Soutelo, por ordem de Manuel Pinto da Silva Magalhães
para satisfazer um voto de seu avô que prometeu construir um nicho e morreu sem o fazer.
O portão das alminhas foi copiado das que se encontram actualmente no actual infantário
e custou 300$''. Foi seu construtor, o senhor Herculano, de Sanguedo. Foi-lhe colocada uma
placa em m
Mármore com os seguintes dizeres: "Alminhas da casa de Manuel Magalhães", que
posteriormente desapareceu. |
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Alminhas do Paneira (Chousa de Cima) Francisco Dias da Mota, nascido em 1843 (?), foi o primeiro
proprietário conhecido, da casa onde se encontram as alminhas. Este comprou-a
desconhecido entre 1875 e 1880. Faleceu em 1917.
Bernardina Dia da Mota sua descendente, falecida em 1967, contava a sua filha Maria
Ferreira da Silva (Paneira), residente em Chousa de Cima, que apesar de lá estar gravada
a data de 1871, o pai dela (e avô desta) desconhecia a data verdadeira da sua fundação,
pois sempre as conhecera ali implantadas. 1871 supõe-se data de reforma das mesmas.
O prédio foi vendido em 1955 a família Fernandes Ribeiro, cujo proprietário actual é
José Fernandes Ribeiro que em 1970, e para construir uma vivenda, fez deslocar as
alminhas uns 20 metros para a direita do local onde primitivamente se encontravam.
Desde a sua compra e até 1922, a esposa do proprietário, senhora Joaquina Barbosa, foi a
sua zeladora.
De 1922 a 1953, foi zeladora, Bernardina Dias da
Mota, filha do senhor Francisco Dias da Mota. A partir de 1955, passou a ser zelada pela
família de José Fernandes Ribeiro. |
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Ermida de Nossa Senhora
dos Remédios (Pereirinha) Esta
ermida é sucedânea de uma capela particular construída em 1896 no local chamado de
Gavinhos e hoje em desoladora ruína.
A historia foi-nos contada pela D. Rosalina da Conceição, neta do próprio fundador da
primeira capela, Manuel da Silva Cardoso conhecido por "Pereirinha".
Este senhor emigrante no Brasil, em momento de aflição - o barco em que viajava ia
afundar-se - recorreu a protecção de N. Senhora dos Remédios, fazendo uma capela em sua
honra se chegasse a bom porto.
A capela foi edificada em 1896 em Gavinhos. Era uma capela bastante grande, onde de vez em
quando se celebrava missa.
Mas, como ficasse longe do povoado, começou a ser pasto de vandalismo: "roubavam as
toalhas dos altares e outras coisas, e até levaram uma imagem do menino Jesus" -
referiu a D. Rosalina. Acabou por ficar abandonada e entrou em progressiva ruína.
Em 1929, José Francisco Nogueira, genro do senhor Manuel António, que havia falecido em
1928, construiu uma nova capela, mas na Pereirinha, onde morava, para recolher a imagem de
N. Senhora dos Remédios da antiga capela de Gavinhos.
Muito mais pequena esta nova capela, além da imagem de N. Senhora dos Remédios, tem a
imagem de Santa Terezinha.
Presentemente é zelada por uma neta do fundador, chamada Rosanira. |
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| Nicho de Nossa Senhora (Ferradal) Em 23 de abril de 1982 os cruzados de Fátima, cujos
responsáveis eram, Lúcia Brochado, Inês Coelho e Angelina Perreira da Silva, em sua
reunião mensal deliberaram fazer reuniões pelos diversos lugares da freguesia tendo
cabido ao Ferradal ser o primeiro. Em 9/7/82 fizeram a primeira reunião no Ferradal,
começando a ser divulgada a Mensagem de Fátima à qual as pessoas aderiram com simpatia
e alegria. As reuniões continuaram a assiduidade e de todas as sextas feiras de cada mês
em casa do Senhor Armindo Malheiro. Ao longo das reuniões foi tomando a ideia de marcar
presença dos Cruzados de Fátima. Como as pessoas aderiram cada vez mais na reunião de
25/11/83 foi decidido fazer um nicho para colocação da imagem do Sagrado Coração de
Maria, Foi então iniciada um peditório pelo lugar e todas as pessoas duma forma ou de
outra colaboraram. Tendo sido o montante das ofertas insuficiente recorreu-se a
generosidade doutras pessoas devotas, cuja contribuição foi valiosa. |
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Mesmo assim foi necessário a influencia de
Angelina Perreira da Silva junto de uma senhora de Espinho, que ofereceu o molde e a placa
da data de inauguração.
Estavam reunidas as condições mínimas
começando-se a dar forma a obra. Assim o senhor Armindo Malheiro e o senhor Manuel Borges
fizeram gratuitamente o Nicho, em terreno oferecido pelo senhor Domingos Gomes de Oliveira
(Feiteira). Como é obvio não é possível mencionar tantos outros valiosos
colaboradores.
Concluída a obra marcou-se a inauguração para 25/03/84 mas por razoes de ordem
religiosa o Pároco não pode efectua-la pelo que foi realizada em 01/04/84, motivo porque
a placa alusiva a inauguração refere 25/03/84.
A cerimonia constou do recitar do Terço seguindo-se a Santa Missa e terminou com a
Consagração de Nossa Senhora feita pelo Pároco. |
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Erminda
de S. Domingos É uma capelinha
de reduzidas dimensões edificada em 1865, referindo o padre Manuel F. de Sá que "à
custa do fianense Manuel Mota", que terá sido emigrante no Brasil. Contudo, numa
lapide de pedra existente acima da porta de entrada, está inscrito, além daquele nome a
data de 1865, o nome de Manuel Gomes da Costa.
Assim temos de concluir que este senhor também colaborou na sua construção, ou então
custeou qualquer restauro ou melhoramento posterior; mas, na Segunda hipóteses a lápide
não será da fundação da capela, o que não conseguirmos esclarecer.
A capela tem um altar com a imagem do patronato S. Domingos e as Senhoras do Bonfim e da
Senhora dos Remédios.
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De constituição simples, merecem algumas atenção as obras de
cantaria das duas cruzes, uma acima do frontispício e outra na continuação da parede
posterior, assim, como os dois flores que ladeiam a primeira e ainda moldura da porta e
das duas "alminhas" rasgadas nas paredes laterais.
Sofreu há anos obras de restauro, que lamentavelmente lhe alteraram bastante a imagem
original: o telhado tradicional deu lugar a inestética cobertura de cimento; o
gradeamento com lanças de ferro foi substituído por canteiros de flores; e as
"alminhas" ficaram sem os painéis, naturalmente por estarem muito deteriorados.
As paredes laterais têm ambas nichos com painéis de azulejos com imagens iguais de S.
Domingos; mas inicialmente estes painéis eram de madeira (parece que guardados na
sacristia da Igreja Matriz), um com a imagem da S. Domingos, outro com a imagem da Senhora
da Hora.
Também havia um painel no altar representando almas no purgatório.
Recentemente em 1996, por iniciativa do elemento da CDPAC, Manuel de Sá Bastos, foi
novamente colocada Telha na cobertura com as característica da época da construção.
Até a data do seu falecimento ocorrido em 24/05/84, foi sua carinhosa zeladora D.
Angelina Sá. Antes havia sido zelada por D. Amélia e D. Angelina Bastos e, noutros
tempos, por um tal senhor Brandão. Actualmente é zeladora a senhora D. Maria de Lurdes
Sá Bastos. |
| Cruzeiro de Maria Helena
Maria Helena foi assassinada aos 17 anos no dia
30.12.1930, por um indivíduo chamado José Resende.
Esta tragédia foi cantada por Manuel de Carvalho Correia em melodia de fado e com letra
da sua autoria.
Rapazes e reparigas
Vós chorai tende lembrança
Já que eu fui assassinada
No berço da minha infância!
Nunca deixeis esquecer
O dia da minha morte;
Já que eu nasci para fraca sorte
Tudo isto estais a vêr
Meu remédio é morrer.
Dizei nas triste cantigas
Que as miseráveis raparigas
Por sua honra querem sofrer
Como estou a fazer
Rapazes e raparigas
Quando ouvirdes tocar o sino
Eu serei autopsiada,
E com a minha roupa rasgada
Por esse cruel assassino,
Que me matou sem destino
E me deu a morte por herança
De dezoito anos em criança;
Mas oh que triste amargura
Ao pé da minha sepultura
Vós chorai, tende lembrança
Adeus raparigas do meu tempo;
Rezai pela minha alma
Sem eu Ter frio nem calma
Dou fim ao meu pensamento.
Já é tarde, não há tempo
Vai Maria Helena sepultada
E no cemitério enterrada;
Aonde meu corpo destampa
Chorai ao pé da minha campa
Já que fui assassinada.
Reparai rapaziada!
Se de mim quereis ter pena,
Pois eu sou Maria Helena
Por José Resende assassinada.
Nasci para ser desgraçada
Já em Donzela tive a morte por herança
Matou-me com arrogância
Pois não pensava no que fazia
Dar meu corpo à terra fria
No berço da minha infância. |
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Textos
retirados de "Ulfilanis Villa", nº 3 - 1993 - 1997
Colaboradores: Abílio Ferreira da Silva; Adélia Maria Santos; Ana Maria; Ângela Mota;
Carlos Alfredo Tavares; Domingos Mota; Domingos da Silva; Joaquim António de Jesus; Luis
Teixeira Costa Brochado; Maria Fátima C. Mota; Natália da Rocha Moreira da Silva;
Orlando Amorim Sá; Salvador Soares da Silva; Serafim da Silva Fontes;
Fotografias: Joaquim António de Jesus |