Neste
século:
O Homem ousou, com sucesso, a fertilização in vitro, o transplante de órgãos vitais, a produção de alguns produtos biológicos humanos e o prolongamento da vida em estado vegetativo. Pode-se nascer in vitro, viver hibridum e morrer in machina. |
No século XXI:
Talvez o Homem seja obra da sua própria Criação; fruto da aliança entre as técnicas da Biologia Molecular, da Bioengenharia e da Genética. Hereditariedade & Meio - Como objectos passíveis de modificação. |
| As descobertas
não podem, por si só, ser apelidadas de boas ou más. O uso que se faz delas é que determina a classificação, e o seu bom ou mau uso depende da nobreza do caracter humano. |
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O conhecimento e hipotética manipulação dos genes humanos, podem aplanar o caminho para um mundo melhor, onde a velhice seja mais suportável e o nascimento não seja, como hoje é, em demasiados casos, uma aventura, exposta à
incógnita das doenças hereditárias. |
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INTRODUÇÃO
É pouco provável que o Homem tenha surgido por geração espontânea (teoria Aristotélica), ou a partir de um piolho, pela magia do Deus P'an Ku (mito chinês). Esta improbabilidade é assegurada pela quase certeza de que a evolução da vida na Terra se deu à 4 mil milhões de anos, a partir de um caldo orgânico, de onde brotou o ácido desoxirribonucleico (ADN) - molécula molde da vida , com capacidade de fazer copias de si própria.
Zinjanthropus* legou-nos uma evolução comum; o somatório de um milhão e setecentos mil anos de adaptações e mudanças que resultaram num Homo Internet cada vez mais padronizado e reflexo da aldeia global em que vive.
No seu longo desafio à Natureza o Homem criou e aperfeiçoou barreiras artificiais de defesa; o fogo, a roda, a poesia, a cisão do átomo e o caminhar vertical, adequando o planeta a si próprio. Paralelamente foi dominando todas as coisas com vida; domesticou animais e plantas e duma forma mais ou menos inocente, seleccionou e fez o cruzamento das espécies que melhor satisfaziam as suas necessidades.
No nosso século:
O Homem ousou, com sucesso, a fertilização in vitro, o transplante de órgãos vitais, a produção de alguns produtos biológicos humanos e o prolongamento da vida em estado vegetativo. Pode-se nascer in vitro, viver hibridum e morrer in machina.
Na nossa era:
O homem solidificou a sua capacidade de manipular o fenótipo dos organismos vivos e prepara-se para desvendar a informação que conduz à sua formação: o código genético.
No século XXI:
Talvez o Homem seja obra da sua própria Criação; fruto da aliança entre as técnicas da Biologia Molecular, da Bioengenharia e da Genética. Hereditariedade & Meio - Como objectos passíveis de modificação.
Descobertas recentes e investigações massivas nesta área, permitem antever uma sociedade adaptada a indivíduos com capacidade de prever o seu futuro nosológico. A descodificação do genoma humano permitirá não só a detecção de genes causadores de doenças hereditárias ou predictivos de doenças multifactoriais, bem como a sua alteração: nas células somáticas (ex: terapia genética), na linha germinativa para prevenção de doenças ou melhoramento da espécie.
As experiências que visem unicamente o melhoramento do património genético do Homem, estão, por consenso mundial (quase unânime): absolutamente proibidas. A este facto não serão alheias as teorias eugenéticas, que exorcizam o mito do Super-Homem (o Ser forte, rival da Grande Natureza) e que por reflexo condicionado se associam ao extermínio das raças inferiores em campos de concentração nazi. Pretende-se que o Homem aprenda com os seus erros históricos e espera-se que estes não bloqueiem o curso do progresso e da Ciência. As descobertas não podem, por si só, ser apelidadas de boas ou más. O uso que se faz delas é que determina a classificação, e o seu bom ou mau uso depende da nobreza do caracter humano.
As Tecnologias de DNA impulsionaram uma revolução de possibilidades que podem transformar radicalmente a medicina, o modo de diagnosticar e tratar, a paisagem do planeta, a flora e fauna e as próprias relações familiares e sociais. Como todas as revoluções, também esta tem as suas vantagens e desvantagens, suscita grandes expectativas e grandes
receios4
A Engenharia Genética contribui para a resolução de problemas como o da fome e do subdesenvolvimento, fornecendo aos países do Terceiro Mundo novos tipos de flora e fauna, mais adaptáveis a climas inóspitos ou a terrenos pobres em água e em pastagens.
O conhecimento e hipotética manipulação dos genes humanos, podem aplanar o caminho para um mundo melhor, onde a velhice seja mais suportável e o nascimento não seja, como hoje é, em demasiados casos, uma aventura, exposta à
incógnita das doenças hereditárias.
Recuperaremos o direito original, que Deus nos deu, de dispor da Natureza (F. Bacon, sec XVII). Este não poderá ser o lema para a utilização dos recursos de que iremos
dispor, sob pena de extermínio da espécie, quando ainda não se encontrou outro planeta onde a vida, na forma que conhecemos, seja viável. Será necessário, antes de se saber quem somos (genéticamente), criar estruturas, regras e leis que estabeleçam exactamente aquilo que queremos ou que iremos Ser.
* Fóssil humano
mais antigo que se conhece
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